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  • "Dê-me Senhor, agudeza para entender,capacidade para reter, método e faculdade para aprender,sutileza para interpretar,graça e abundância para falar.Dê-me ,Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir"São Tomáz de Aquino

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terça-feira, 29 de junho de 2010



"A inveja não me deixa por azeitona na empada de ninguém"
"Mantenho distância de gente mercenária। “Elogiar? Mas ninguém me elogia!”, dizem os negociantes da autoestima, que distorcem a célebre frase “é dando que se recebe”। Da mesma forma, aqueles que economizam favores ou gentilezas usam esta justificativa, e não colocam azeitona na empada de ninguém। Não colocam porque a inveja não deixa.Aqui com meus botões, penso que este é o típico comportamento de gente que transforma tudo em competição, inclusive a amizade. E acreditam que os outros não percebem, porque, claro, os outros são burros. Deus me livre! Foi numa conversa sobre isso, com minha grande amiga, a Dra. Vera, mulher moderna nos seus 80 anos de sabedoria, que comentei imaginar a vida em retiro uma boa alternativa a este mundo tão competitivo e invejoso... e acabei me lembrando de Santa Teresinha do Menino Jesus, de quem sou fã.-- Santa Teresinha padeceu no convento! As freiras não gostavam dela – me disse a Dra. Vera.Pasmei.-- As freiras não gostavam dela?!-- Freira também é gente, minha filha. O convento está cheio de quê? De gente. Onde tem gente, também estão os defeitos.Acabou-se ali a veleidade que alimentei, desde criança, de, depois de curtir bastante a vida, acabar meus dias no ambiente leve de um convento, cercada de muitas amiguinhas boa-praça. Quer dizer que Santa Teresinha, que foi -- e continua sendo – uma santa, e que sofreu muito devido à humildade, injustiça e doença, além de tudo teve de aturar gente que tinha inveja dela?! Como meu pensamento voa, e disso já sabemos, acabei me lembrando do dia em que minha irmã Teresa, doentíssima, recebeu a médica acupunturista em casa, para tentar lhe aplacar dores que nenhum remédio aplacava. A doutora, formada na China, chegou elegante como sempre, em seu terninho, mas mal-humorada devido ao trânsito. De tão dedicada à carreira profissional, não teve tempo para casar-se ou ter filhos: rica e famosa, especializou-se em doentes terminais, mas detestava atender em domicílio.Cercada por filhos e marido dedicadíssimos, minha irmã sofria na cama, usando pela primeira vez um autêntico robe de seda floral japonês, em tons de verde água, que a tia havia dado um jeito de mandar vir do outro lado do mundo, na tentativa de alegrá-la.A médica pisou no quarto com seu salto alto e não disfarçou o encantamento diante da peça. Mal começou a espetar as agulhas, perguntou sua origem. Passou a sessão falando de suas viagens ao Oriente e, ainda que minha irmã reclamasse do peso de sua mão, mais pareceu estar num salão de chá, jogando cartas com as colegas.Lá pelas tantas, foi à sala, a pretexto de beber água, e sacou o celular para uma ligação internacional. Dali mesmo, encomendou um robe de seda floral verde água, e entrou quase eufórica no quarto, para dar a notícia à paciente: seu robe chegaria em poucos dias!Minha irmã encerrou a sessão e depois me perguntou, com uma expressão quase vencida no olhar:-- Como pode, uma pessoa à beira da morte, ainda causar inveja em alguém?Carrego esta pergunta há anos, e agora a divido com vocês.
http://www.jblog.com.br/almalavada.php?itemid=21657#nucleus_cf
Blog Alma Lavada -Fernanda Dannemann

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