
A fotografia,
Vi-me envelhecer noutro dia quando parei para olhar minha fotografia de 1981 ou 1980. Dei-me conta de que aquela fotografada tinha morrido, por dentro e por fora. Assustei-me apavoradamente.
A fotografia mostrava-me a beleza da juventude, o frescor da minha vivencia, a vivacidade dos meus olhos, a nitidez de minhas sobrancelhas , o escuro castanho delas emolduradas nos meus cabelos curtos e de moleca, braços firmes ,mãos seguras , roupa despretensiosa de quem acredita no que veste, no que faz , acredita no que acredita .Olhei-me com saudade de quem não me enxergava havia muito tempo .Tentei pensar , o que pensava na época, tentei lembrar de meus conceitos, de minha fase, daquela minha existência.E um pesar enorme, pesou sobre mim .Eu era outra, eu insisti comigo que eu era outra
De lá, até aqui, se passaram 28 anos; não se passaram rápido, muito foi vivido, muitos foram os acontecimentos ,interiores e exteriores.
Mas estou pensando(escrevendo) sobre os exteriores. E estes, me trazem incredulidade e recusa.
Hoje é outono de 2008, friorenta, estou de agasalho desde a enchente da goiaba, no vai-e-vem da vida, não parei até a fotografia e olhar conferindo meus braços; sempre morena, de pele bonita, resistente jambeada, conferi o prenúncio de pintinhas miúdas e embaçadas,como que querendo nascer, aos montes delas, como que me dizendo, vamos vindo, estamos chegando ,vamos deixar seus braços iguaizinhos àqueles que você já viu envelhecidos.Quis correr de mim, quis buscar socorro,quis encontrar um pare; quis nada, nada posso fazer senão só olha-las e vê-las vindo; mas e a minha pele, morena, bonita, sem nenhuma delas, minha pele está me traindo, corro pra onde? Não , não corro. Mostrei-me os braços no espelho e, o susto cresceu porque vi também que sobre meus olhos debruçam, bem debruçadas, minhas pálpebras; eu não as tinha visto; nossa! como debruçam!.Cansaram-se? Puxo-as ao alto e vejo que as sobrancelhas também estão graves na atração; puxo as duas , pálpebras e sobrancelhas , juntas e para os altos laterais ; ficam bonitas e trazem-me o flash daquela fotografia , mas logo solto-as e debruçam juntas!Oh! não! Olho-me de novo , minha imagem refletida no espelho, acendo as luzes, todas as três de que disponho ; há um misto de velho, novo e mais ou menos.De velho tem mais um par de faladas olheiras; e há pintinhas vindo aqui também!E a boca? Tem risquinhos que ora vêm ora vão! E o queixo? Tem dobras que também dançam nas minhas caras-e-bocas.
Pensei que por certo morremos a cada uma década, então já morri cinco! E quando eu morrer, já terei morrido toda!
Certamente ainda verei os pés-de-galinhass, o cenho franzido sem franzi-lo; e os cabelos? Não pedi para que se pintem brancos! ......









Nada que um Dr Beleza não resolva....kkkkk
ResponderExcluirLinda minha menina de 53!
ResponderExcluirMarco